Armando Nogueira fala para o Cultura sim Senhor

Por: Bruno Braz

Armando Nogueira nasceu no Acre e foi para o Rio de Janeiro aos 17 anos. em 1950 conseguiu sem primeiro emprego no ramo do jornalismo. Trabalhou no Diário Carioca, onde ganhou uma vasta experiência convivendo com jornalistas como Prudente de Moraes Neto, Carlos Castello Branco, Otto Lara Resende, Rubem Braga, Fernando Sabino, entre outros. Após 13 anos, passou pelas revistas Manchete e O Cruzeiro até ingressar no Jornal do Brasil. Além disso, foi para a Rede Globo e implantou o telejornalismo na emissora. Dentre tantos feitos, criou o Jornal Nacional e o Globo Repórter, noticiários que há muito tempo são referências no setor.  Já cobriu 14 Copas do Mundo e sete Olimpíadas. Nos últimos anos era âncora de diversos programas do canal esportivo por assinatura Sportv.


Sua passagem pela Revista Senhor foi por apenas seis meses mas serviu de grande valia como o próprio relata em entrevista exclusiva para o blog.

Como e de que forma foi sua participação na revista Senhor?
Fui convidado como freelancer por Nahum Sirotsky para fazer perfis de personalidades esportivas. Comecei com o golfista Marco Gonzalez, foi um prazer e uma experiência excelente para a minha carreira jornalística.


Por quanto tempo você trabalhou na revista?
Foi por apenas 6 meses, mas mesmo assim foi bastante válido.

Qual a análise editorial que você faz da revista?
Era uma revista de elite, como é a Época e a Veja nos dias atuais. Ela era muito conceituada no período, com um corpo editorial bastante intelectual.
 

Por qual motivo você acha que a revista circulou por pouco tempo?
Não era administrada como indústria, era amadorística. Isso acabou sendo um fator preponderante para que ela, posteriormente, viesse a parar de circular. Tenho certeza de que se ela fosse administrada de uma outra forma, estaria disponível nas bancas até hoje.
 

O que de mais interessante a revista oferecia?
Matérias atemporais, notícias como as atuais revistas já citadas, com um conteúdo bem peculiar e bastante informativo. Era, de fato, uma revista diferenciada.

Você teria alguma crítica a fazer sobre algo da revista?
Não. De maneira alguma. Foi uma experiência incrível e a revista tinha uma qualidade excelente.


Qual a maior lembrança que você tem da revista Senhor?
Convívio com jornalistas muito interessantes, como o próprio Nahum, além do Paulo Francis e outros tantos que fizeram história no jornalismo brasileiro.

 

Caricatura de Armando Nogueira (coluna do Sérgio Cabral no jornal Lance do dia 20/01/2008)

Escrito por senhoras e senhores às 14h31


[]


Cores da Revista Senhor

                                       Por: Marcela Souza e Maria Fernanda Romero

                             

A relação de arte e design no Brasil começou com a Revista Senhor (Carlos Scliar e Glauco Rodrigues) e vem alcançando além do horizonte como linha de trabalho construída pelos novos e ambiciosos profissionais que são formados todos os anos na academia e no mercado. A sua subjetividade é a verdade sob o ponto de seus conceitos e estes estão focados no padrão ideal de arte, aquela que expressa puramente o sentimento e a comunicação.

Publicada de 1959 à 1964, a revista Senhor, até hoje é lembrada por seu layout e conteúdo inovadores no país. Segue abaixo o link de uma dissertação excelente sobre as cores da Revista Senhor, feita por Cibele Bustamante, para conclusão de pós-graduação, na qual a mesma analisa as cores nos primeiros números da revista, além de um contexto político-histórico-social da época de publicação do periódico.

http://www.bdtd.uerj.br/tde_arquivos/25/TDE-2007-10-29T122431Z-173/Publico/BUSTAMANTE%20ate%20cap6.pdf

 

Escrito por senhoras e senhores às 20h32


[]


Revista Senhor - Linha do tempo

 

                                                                                             Por: Maria Fernanda Romero

Fonte: 'Revista Senhor: Jornalismo cultural na imprensa brasileira' - Eliane Fátima Corti Basso

A história da revista pode ser dividida em três fases compreendidas no período de março de 1959 a janeiro de 1964. Estas etapas estão relacionadas à troca de proprietários – portanto a revista passa pelas mãos de três donos – e da mudança do editor responsável. A primeira fase vai de março de 1959 a julho de 1961, compreende 29 exemplares. Foi  lançada  pela editora Delta, tendo Nahum Sirotsky na direção. A segunda etapa vai de agosto de 1961 a fevereiro  de  1962, apresentando apenas sete edições, tendo na direção  o  jornalista  Odylo  Costa, filho e sendo editada pela AGGS – Artes Gráficas Gomes de Souza S. A., do Grupo Gilberto Huber, dono da gráfica e da editora das listas telefônicas, que já fazia a impressão da publicação. A terceira etapa tem inicialmente a direção do poeta e jornalista Reynaldo Jardim e os primeiros exemplares ainda estavam sendo editados pelo grupo de Gilberto Huber, mas, logo em seguida, passou às mãos de Reynaldo e do publicitário Édeson Coelho. Esta fase compreende 23 números condensados em 21 exemplares. Nos meses de Abril/maio, junho/julho de 63 saíram apenas dois exemplares.


         Na primeira fase, além de cultura centrou-se também em abordagens políticas e econômicas. Na segunda, voltou-se prioritariamente para o campo da literatura e, na terceira, identificou-se em maior profundidade com os temas culturais. Na terceira fase, defendeu com mais clareza uma cultura engajada com a realidade, de identidade popular-nacional, chegando a lançar o slogan “O jeito brasileiro de ver o mundo”, sustentado ideologicamente na valorização da cultura nacional frente à produção estrangeira. De certa maneira essa preocupação com a realidade nacional pode ser filosoficamente lida com os objetivos ligados ao ISEB, aos grupos de vanguarda nas artes e ao CPC da UNE. "Eu queria mostrar que o Brasil não era subsidiário da cultura americana. Era tentar mostrar os problemas dos brasileiros".

 

 

Escrito por senhoras e senhores às 20h11


[]


Ana Arruda Callado fala para o Cultura sim Senhor

Por: Geilza Amaro

Ana Arruda Callado foi a primeira mulher chefe de reportagem;  primeira chefe de edição em jornal; primeira na direção da ABI (Associação Brasileira de Imprensa); primeira mulher a ganhar o prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Ciências da Comunicação. Em uma época aonde a presença feminina nas empresas jornalísticas era muito pequena, Ana Arruda Callado participou da Revista Senhor, sendo uma das pioneiras a adentrar nesse universo até então, exclusivamente masculino, abrindo espaço para outras mulheres jornalistas.

Nesta entrevista Ana Arruda Callado fala sobre a Senhor,sua participação e a importância cultural da revista para o país.

 

O que era a Revista Senhor? Qual a sua importância?

ANA: A Senhor representou o melhor dos anos 50 e 60. Era uma revista de cultura mesmo, ou seja, introduziu no Brasil, e sobretudo, no Rio de Janeiro, pensadores, artistas plásticos, escritores até então desconhecidos, como, Clarice Lispector, a maior escritora brasileira. Além de ser inovadora em relação ao planejamento visual. Carlos Scliar foi o primeiro diagramador da revista e, após sua saída, Glauco Rodrigues assumiu esse posto.

 

Quando participou da Revista?

ANA: Eu nunca brilhei na Senhor. Não fui escritora da revista. Atuei mesmo por trás dos bastidores, na “cozinha”. Na verdade, participei em dois momentos . Em 1958, no período áureo da revista, quando ainda era repórter (“foquinha”) do Jornal do Brasil, escrevi dois textos, a pedido de Luiz Lobo, os quais foram publicados na revista. Eram textos não assinados e que passaram por revisão. Nesta época eu ainda era muito inexperiente, muito “crua”, apesar de ter feito uma boa faculdade e ter lido muito antes. Lembro-me que um desses textos se chamava Ortóptica (técnica de corrigir problemas visuais por meio de ginástica). E mas tarde, já na fase de decadência quando era secretária fiz um trabalho muito importante na editoria.

 

Porque a Senhor faliu?

ANA: No inicio quando era sustentada pela gráfica que pertencia aos irmãos Waissman, ligados à Editora Delta, era mais fácil, a impressão era garantida. Mas a revista começou a não dar lucro. Então, Édeson Coelho e Reynaldo Jardim na tentativa de reerguê-la a comprou, porém, não puderam mantê-la e aí faliu. É muito difícil manter uma revista. O custo de uma revista da qualidade da Senhor é alto. Mas mesmo nesta fase de decadência, a revista manteve o seu objetivo, ou seja, ser uma revista de cultura. No último, ou penúltimo número da revista, Glauber Rocha foi à sede da Revista que se localizava na Rua Santa Clara (próprio apartamento de Édeson) e entregou um artigo, a idéia resumida de um longa-metragem que pretendia fazer, o título era; Deus e o Diabo na Terra de Monte Santo Cocorocó. E que mais tarde tornou-se o filme; Deus e o Diabo na Terra do Sol (www.tempoglauber.com.br/glauberite/Filmografia/diabo.htm).

 

 

Porque Senhor fez tanto sucesso com o público?

ANA: Porque era uma revista de qualidade e, também, porque teve a sorte de ser lançada em uma época que o povo estava interessado em cultura e no Brasil.

 

 

Existe hoje alguma revista que pode ser comparada a Senhor?

ANA: Não houve uma revista como Senhor, ela foi a melhor revista de cultura que já existiu no Brasil. Hoje, a revista que mais se aproxima em termos de conteúdo é a Piauí (www.revistapiaui.com.br).

                           Ana Arruda Callado (ao fundo, pintura de Carlos Scliar)

 

Escrito por senhoras e senhores às 00h11


[]


Geração Pós Revista Senhor

Por: Geilza Amaro

Declaração de Anna Fortuna (filha do Fortuna, um dos colaboradores da revista)

“Eu não vivi essa época em que meu pai (Reginaldo José de Azevedo Fortuna) colaborava na revista (anos 60). Em relação às revistas que conheço, considero a revista Senhor uma das melhores revistas que o Brasil já produziu. Era uma revista inteligente, bonita, elegante, com matérias e artigos bem variados, entrevistas com pessoas inteligentes e significativas de todas as áreas, principalmente a artística. Tinha um pouco de tudo; decoração, moda, música, belos ensaios fotográficos, literatura, humor, contos etc. Diante da 'leveza elegante' da revista (leveza que não pode ser interpretada como frivolidade), meu pai fazia cartuns e ilustrações ao invés de charges, colaborando muitas vezes para o suplemento criado por Jaguar, chamado O Jacaré”.

 

 

 

Escrito por senhoras e senhores às 01h35


[]


Clarice Lispector na Senhor

Por: Romullo Assis

J.C. — Por que você escreve?

C.L. — Vou lhe responder com outra pergunta: — Por que você bebe água?

J.C. — Por que bebo água? Porque tenho sede.

C.L. — Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva.

 

Com estas palavras, Clarice Lispector encerra a última de suas entrevistas. Com grande prazer, podemos ver sua bela época na revista Sr., através de contos que mais tarde seriam publicados nos livros Laços de Família e A Legião Estrangeira.

Nascida na Ucrânia de 1920, Clarice traz, alguns anos mais tarde um misto de talento e sentimento para o Brasil, terra que mais tarde ela consideraria sua maior fonte de inspiração, ainda mais no Nordeste, onde encontrou a realidade da pobreza e da indignidade que sofriam tantas pessoas.

Considerada a primeira mulher a se dedicar à carreira de jornalista, a então esposa do diplomata Maury Gurgel, quebra o paradigma de mulher dona de casa, para entregar-se ao seu dom, atuando nas mais diversas obras literárias.

Realmente, ler Clarice é sentir Clarice; não há como não se identificar com a beleza de seu texto. Para quem deseja mais desta mulher sem igual, segue no link abaixo um dos contos publicados na revista Sr.:

http://www.releituras.com/clispector_lacos.asp

 

 

Escrito por senhoras e senhores às 20h11


[]


Angeli, um senhor cartunista

Por: Romullo Assis

Em 31 de agosto de 1956, nasce aquele que seria um dos maiores cartunistas brasileiros.  Dono de incrível tino artístico, Arnaldo Angeli, mais tarde apenas conhecido por seu sobrenome, logo que encontrou uma oportunidade, foi exercer aquilo que tanto o impulsionava: aos 14 anos começou a trabalhar na Revista Sr, com a personagem Rê Bordosa, em seus bares, festas e fins de noite, um retrato de muitas mulheres da época (anos 1980).

Eis um trecho de uma entrevista com Angeli sobre sua personagem:

Angeli fala de sua relação com Rê Bordosa

Fonte: Press Release, fotos: Marcos Mendes (17/05/2001)

(...)
            Pergunta - A Rê Bordosa foi assassinada há 14 anos. Ela era muito voltada a mulher daquela época (1984 a 1987). Você acha que atualmente existem muitas Rê Bordosas por aí?

Angeli - As leitoras da época da Rê Bordosa continuam muito fiéis a ela. As mulheres de hoje que não a leram, possuem os mesmos problemas que ela tinha na década de 80. Creio que agora a autodestruição, através do sexo, do álcool e do cigarro é menor. Esta geração ainda tem um sentimento de culpa, problemas de adequação com o sexo oposto, com uma sociedade machista e também diante do que as mulheres acham o que é certo ou errado.

Pergunta - Como você contextualizaria sua personagem naquela época?

Angeli - A Rê Bordosa era um corpo estranho no movimento feminista ou machista, seja o que isso fosse. Então, hoje em dia ainda tem esses problemas, mas a forma de atuar é diferente. Talvez a droga que se usa hoje seja diferente e o álcool não esteja tão presente. E tem também a AIDS, que mudou muito o comportamento das mulheres.

Escrito por senhoras e senhores às 20h02


[]


O perfil e a história de Ivan Lessa na Revista Senhor

 Por: Mariana Targiano

Ivan Lessa é jornalista e escritor brasileiro, filho da jornalista e cronista Elsie Lessa e do escritor Orígenes Lessa. Foi editor e um dos principais colaboradores do jornal O Pasquim, onde assinava as seções Gip-Gip-Nheco-Nheco, fotonovelas e “Os Diários de Londres” escritos em parceria com Edélsio Tavares. Publicou três livros: Garotos da Fuzarca (contos, 1986), Ivan Vê o Mundo (crônicas, 1999) e O Luar e a Rainha (crônicas 2005). Atualmente, mora em Londres e escreve crônicas três vezes por semana para a BBC Brasil.  Além disso, Lessa criou junto com o cartunista Jaguar o ratinho Sig (de Sigmund Freud), baseada em uma época, na qual, se “ Deus criou o sexo, Freud criara a sacanagem ”. Assim, o ratinho se tornou símbolo de “O Pasquim”, aparecendo também nas capas da coleção “ As anedotas de Pasquim” , publicada nos anos 70 pela Editora CODECRI.

 

Logo abaixo segue um texto contando a história de Ivan Lessa na Revista Senhor.

 

 

 

SENHOR

Memórias de redação

 

 

 

"De vez em quando, um sujeito formado em jornalismo aparece e vira para mim e diz: "Eu me lembro daquele artigo que você escreveu sobre o Spinoza na revista Senhor." Faço um sorriso modesto, encaro as sandálias dele, penso que mundo estranho este em que as pessoas se formam em jornalismo. O sujeito prossegue: "Que revista hem!" Eu vou mais longe: "Ainda vou processar a Chauí por uso indevido". Na verdade nunca escrevi uma única linha sobre Spinoza. Na verdade, tenho a maior dificuldade de me lembrar da revista Senhor. Não guardei nenhuma. Lembro pouquíssimo dela. O que eu me lembro mesmo é que foi meio frustrante e gostoso. Mas isso, como tudo mais, é opinião pessoal. Eu me lembro é do pessoal. Da redação. Restaurantes. A revista Senhor foi assim:

 

Em janeiro de 1959 eu tinha 23 para 24 anos, era chefe de redação da Norton Publicidade, ganhava 30 contos por mês. Fui checar na carteirinha de trabalho. Tá lá. A revista Senhor não assinou a carteira. É dado. Recapitulando: era chefe de redação, 9 às 5, mais dois frilas excelentes, duas agências. Master e Abaeté, que menores, não tinham condição de pagar um redator tempo integral. Então, na hora do almoço, ou depois do trabalho eu passava lá pegava os dados, fazia o texto das campanhas e faturava 15 milhas em cada uma. Lembro-me da campanha de lançamento de cigarros da Lopes Sá, para a Master. E dos livros da Civilização Brasileira, do querido Ênio Silveira, na Abaeté, onde o diretor de arte, frila também, era o Eugênio Hirsch, simpaticíssimo e que também fazia umas capas péssimas para a Civilização. Mas, enfim, o que eu queria dizer era o seguinte, 60 contos por mês era uma nota. Pra dar uma idéia: dava para comprar um carro novo por mês. Nada mau. Eu gastava tudo em disco importado e mulheres locais. Dinheiro bem empregado. Só que aos 23 anos todo mundo é idiota. Principalmente eu. Como eu tinha assinatura de revista americana e já lera uma porção de pocket books entrei numa crise existencial. Ou de identidade. Por aí. Foi quando o Paulo Francis, que já era meu amigo desde 1953, me perguntou se eu não queria ser redator de uma revista, tal de Senhor, uma mistura assim de Esquire, New Yorker e Playboy. Quanto pagam? Mal. Na minha cabeça, eram 17 milhas. Ridículo, perto do sessentão. Mas topei, já que era uma besta. Com cara íntegra (vocês não têm idéia do que é minha cara íntegra...) demiti-me da publicidade, a alma gargalhando e berrando, "Free at last, thank God All Mighty, free at last!". Comecei, se não me engano, em março. Preenchendo a vaga deixada pelo redator anterior, Adirson de Barros, demitido depois de um ou dois números apenas, possivelmente por já ser informante do SNI antes mesmo da criação desse simpático órgão informativo. No número de maio eu já estava lá. Isso porque em abril morrera Billie Holiday e, antes, eu já escrevera matéria sobre a pobre da moça. Senhor foi pras bancas com "A Hora e a Vez de Billie Holiday". Não era de todo uma josta. Tratava a cantora como já morta, previa como seria uma enganosa cinebiografia, com Dorothy Dandridge, Belafonte, coisa e tal. Não peguei fama de pé-frio.

 

Mas a revista? Como era a revista? Era na Travessa do Ouvidor, 22, um andarzão na sede da Editora Delta, empresários responsáveis por enciclopédias como a Larousse além de coleções, feito Nobel, Freud, esses caras. Eu me lembro dos dois irmãos Waissman, Sérgio e Simão. Simpáticos e finos. Possivelmente queriam o prestígio de uma publicação intelectual. Ou então pegar mulher. Não sei. Verdade é que chamaram o Nahum Sirotsky para fazer, ser editor-chefe da revista, e o Nahum que sabe das coisas, fez. Chamando o Francis para editor e o Carlos Scliar para direção de arte, assistido pelo esplêndido Glauco Rodrigues. Luís Lobo ficou com serviços, Jaguar com cartuns. Numa salona, trabalhava o Ivo Barroso para a enciclopédia, mas que traduziu muita coisa boa para a revista. Todas as capas, todas as ilustrações do Scliar eram de primeiríssima qualidade. Os serviços do Luiz Lobo eram ótimos principalmente porque na hora do almoço o que fizemos de pesquisa para dica de restaurante não estava no gibi, saía na Senhor. Me lembro de um restaurante em particular, na travessa dos Barbeiros, o Escondidinho. Nunca comi tão bem em minha vida. O ponto alto da revista, para este criado que vos fala, era o almoço. Oba! Epa! A casa Heim, Dirty Dick's, o árabe da Senhor dos Passos, um porrilhão deles. O fotógrafo era o Chinês, o Armando Rosário. Formidável o Chinês. Posei muito para ele, para a revista, essa parte de serviços. Ilustrando uma matéria do Marcito Moreira Alves intitulada "Os Boas Vidas". Eu em close com um chapeuzinho-esporte acendendo um cigarro por trás do volante do meu carro. Eu tinha carro, claro. Bonito, Mercury, duas cores, hidramático. Meus pés ilustrando umas meias xadrez, muito sobre o amarelo, no bar do hotel Miramar, aquele do posto Seis. Eu de longe com uma moça ao lado no saguão do Santos Dumont, ela com meu paletó. Era pra ilustrar paletós. A moça eu estava de olho nela, trabalhava no DAC. Foi pretexto. Não deu em nada. Quer dizer, deu – no melhor sentido possível – mas anos depois.

 

Que mais? Eu escrevi uma matéria sobre o conjunto vocal The Hilo's. Outra sobre o LP do João Gilberto. Outra que era uma tremenda enganação sobre os Beats and Angry Young Men, que chamei de Os Cansados e os Zangados. Cozinhei tudo de uma porção de coisas de revistas importadas lá de casa ou da redação. Traduzi um conto do Thurber com um erro de redação deste tamanho. Imagina vocês, que, no contículo, "As Sete da Noite", tem no original uma moça “lying in the sofa" e, em português, eu taquei "mentindo no sofá". Era o que eu achava de mulher, meu querido, me veio na natural, sorry. Teve também uma engraçada. Francis me deu um artigo do Sartre para traduzir. Sobre Berlim. Em inglês. Li e fiquei esperando. Aí Francis ou Nahum me cobraram a tradução. Cadê? Eu – olha só que paspalhão! Estava esperando o original em francês. E esta besta foi chefe de redação de agência de publicidade. Well, well.

 

Divertida , na revista, era uma sessão que o Lobo ("Lobíferra Cretaturra", como o chamava Scliar, que ciciava um pouco e arranhava os rr, assim feito a Clarice, de quem eu já vou falar logo, logo) criou, no começo, intitulada Sr. e Cia. Noticinhas curtas, com molho. Eu fiz algumas que não eram de jogar fora. Por exemplo: "Jeff Chandler vai se casar com Esther Williams. Bem feito pros dois". Coisinhas assim. Pra mim, as Dicas do Pasquim estão meio aí. Mas isso é besteira, forget it, deixa pra lá. Eu acertei mesmo foi com Jaguar. Embora, que me lembre nessa fase, não saiu nada. Talvez palpite num ou noutro cartum. Mais tarde é que viramos amigos e irmãos.

 

A Senhor publicou um esquema de tipo encarte, o Quincas Berro d'Água do Jorge Amado. Incríveis os originais dele. Cada erro sensacional de ortografia, gramática, pontuação, tudo. Mas ele ainda era ótimo. No mesmo esquema, "O Urso", do Faulkner, um troço do Tolstói.

 

Quando tinha tradução literária, muita colaboração do Mário Faustino, amicíssimo de Francis e cobrão conforme se diz nos meios acadêmicos. Francis entrevistou o Martin Luther King. Graham Greene, acho. Carlos Lacerda escreveu sobre o cultivo de rosas (até hoje tenho os originais em papel da Câmara dos Deputados). Rubem Braga fez crítica de arte, Armando Nogueira texto antológico sobre Didi, "O Homem que Passa" (titulão, hem?). Outros colaboradores? Carpeaux, Millôr, Vinícius, Marques Rebêlo, meu pai, minha mãe, Sabino, Antônio Maria, Sérgio Porto, Cony, Callado. Todo mundo que sabia escrever. Gozado. Tinha muita gente que sabia escrever. Lembro de um camarada que escrevia sobre som, hi-fi, por aí, chamado Fânzeres. Fânzeres é um nome sensacional. Fânzeres.

 

Ah. Clarice. Pois é. Só era conhecida no metiê. Aquele livro com título parecido com coisa da Carson McCullers. Perto – ou distante – do Coração Selvagem. Morava em Washington, era casada com diplomata. Alguém – quem? – teve a feliz idéia de pedir conto. Chegava tudo por carta. Lembro daquele, "A Menor Mulher do Mundo". Sensacional. Apareciam os envelopes americanos, a gente voava lá. Feito exemplar novo da New Yorker.

 

Depois do dia do fechamento da revista, nós nos pintávamos todos e íamos para a praça Mauá bulir com os marinheiros. Mentira. Essa última frase aí, de se pintar e ir pra praça Mauá, é mentira. Eu só queria ver se vocês ainda estavam acordados ou prestando atenção. Olhaí, é o seguinte: a revista vinha num papel muito bom, tinha um visual legal, publicava umas coisas mais do que razoáveis e – ah! ia me esquecendo. Tinha fotografia de mulher meio pelada. De muito bom gosto, claro. Várias edições feitas lá em casa. É. Eu morava em cobertura dando pra praia. Que praia? Copacabana, Leme, claro. Queriam o quê? Ramos? Uma moça que pousou: condessinha. Polonesa, creio. Outra de flor no cabelo, pele ruim.

 

Daí o Francis me mandou entrevistar o ginecologista Hélio Aguinaga e o rabino Lemmle. Sobre pílula anticoncepcional. Eu não tinha, não tenho o menor jeito para esse troço. Foi um horror. Daí o Francis me mandou escrever um artigo, colado mas não muito, de revista americana, cujo título – como esquecer-te? Era "Como Dizer Não à Sua Mulher". Enganei o quanto pude. Não saía mesmo. Pra vexame meu, Francis afinal sentou e escreveu de enfiada, se me permitem a expressão. Acho que foi na frente de todo mundo. Todo mundo rindo de mim e jogando pedra. Logo depois, o Nahum me chamou e me demitiu por incompetência. Quer dizer, Nahum é bonzinho demais, nunca faria assim. Deve ter dito que eu era formidável mas que isso e aquilo outro e coisa e tal. Me abraçou, me beijou na boca, capaz até de ter chorado. Nahum é maravilhoso, um anjo. Vive me mandando e-mail de Tel Aviv cheio de anedota em inglês. Não sei por quê. Mas digo que achei ótimo e trocamos lembranças. Vive dizendo que foi quem me "descobriu". Capaz. Verdade é que o Newton Rodrigues veio me substituir dando finalmente um cunho de profissionalismo à redação da prestigiosa revista. Veio também o Ivan Meira, do mundo da publicidade, passe caro, para tornar a publicação mais viável do ponto de vista publicitário. Foram para Copacabana. Logo ali, saída do Túnel Velho. Mudou o diretor. Veio Odylo Costa Filho, especialista número um em velório de imprensa. Reynaldo Jardim, especialista número dois. O Jaguar passou a fazer um encarte humorístico na revista, O Jacaré. Estreitamos ainda mais a amizade, houve o início de colaboração.

 

Eu voltei para a publicidade, fiquei sem fazer nada, voltei para a imprensa. Resolvi – sempre por motivos pessoais – fazer as piores besteiras do mundo. Modestamente, peguei um recorde sul-americano no gênero, anos 62-68. Tudo bem. É assim mesmo. Só não entendo porque vocês brasileiros perdem tempo com essas bobagens. Vão pra praia, gente. Jogar futebol. Tocar violão debaixo das estrelas, while beautiful morenas do the samba, chic-a-chic-a-boom-chi. Esse negócio de jornalismo cultural, não sei não, hem gente? "

 

Publicado originalmente no caderno “Fim de Semana”, do jornal Gazeta Mercantil, em 1999.

Escrito por senhoras e senhores às 19h49


[]


As propagandas de ontem e de hoje

Por: Michele Derzi 

 

A revista SENHOR esteve na vanguarda das publicações culturais brasileiras, revelando-se como uma das mais importantes revistas cultas e de design gráfico, de todos os tempos, do mercado brasileiro. Ela serviu como um importante espaço público para a veiculação da produção intelectual.

No final da década de 50, o mercado editorial estava se desenvolvendo e não havia nas bancas uma revista que se propusesse a apresentar, ao mesmo tempo, a produção cultural e as temáticas do universo masculino para um público com alto poder aquisitivo, morador dos centros urbanos, intelectualizado.

Em suas edições haviam sempre publicidades direcionadas para os homens, várias marcas que veremos a seguir como: Renner com suas roupas masculinas, a Esso e a Shell com combustível para os carros da Ford, as multinacionais General Eletric e a Phillips e o cigarro Hollywood, que ao contrário da revista sobrevivem até hoje.

Vamos fazer um comparativo das propagandas existentes na revista na época de sua circulação e as mesmas nos dias de hoje.

 

 

 

Escrito por senhoras e senhores às 19h21


[]


Senhores da Senhor

Por: Fernando Augusto

Carlos Scliar

Nascimento: 21/06/1920

Naturalidade: Santa Maria da Boca do Monte/RS

 

Destacado desenhista, gravurista, pintor, ilustrador, cenógrafo, roteirista e designer gráfico judeu brasileiro. Participou constantemente de exposições no Brasil e em todos os centros artísticos mundiais, registrando sempre absoluto sucesso. Ativista social, engajou-se em vários movimentos, como o 1º Congresso da Juventude Democrática, na Tchecoslováquia e em manifestações brasileiras, seja produzindo cartazes, seja ilustrando livros e revistas. Gravurista por opção, apaixonou-se pela serigrafia, em cuja técnica desenvolveu várias séries. Aliás, uma das importantes características de Carlos Scliar era a sua capacidade de inovar, buscando novos materiais que lhe servissem de base e técnicas as mais variadas, desde têmpera até o acrílico, passando pelas artes gráficas. Pintou quadros, mas também fez murais e até ilustrou vários bilhetes da Loteria Federal, premiados com sua arte. Cremado ao falecer, suas cinzas foram lançadas no Canal do Itajuru, em Cabo Frio. O trecho às margens do Canal do Itajuru, em Cabo Frio, em frente à casa onde Scliar morou por 40 anos, recebeu da prefeitura municipal o nome de Orla Scliar. A casa, que o próprio Scliar restaurou, se transformou no Instituto Cultural Carlos Scliar, e exibe boa parte de sua obra e de outros pintores brasileiros, além de preservar o mobiliário da casa e o ateliê, com suas tintas, telas e pincéis.

Obras:

Grande Natureza-Morta (1966)

Folhagens (1967)

Ouro Preto 180º (1973)

Porto Alegre antigo (1974)

Porto Alegre moderno (1974)

Festa dos Navegantes (1974)

Porto Seguro (1974)

Santa Cruz de Cabrália (1974)

Ouro Preto 360º (1976)

Leia - Pense (1977)

Telhados de Ouro Preto (1977)

Políptico dos barcos na Marina (1978)

Baía de Angra dos Reis (1985)

Escola Colorida (1986)

Composição com vários objetos (1986)

E Agora? (1989)

Homenagem ao Teatro (1989)

Ivo Barroso

Nascimento: “Num natal distante”

Naturalidade: Ervália/MG

”Nasci em Ervália, Minas Gerais, num distante Natal. Meu pai era o farmacêutico da cidade e me dava todos os livros que eu pedia. Li meus primeiros versos na seção de livros do Tesouro da Juventude, em geral poemas descritivos, que logo tentei imitar. Havia também as obras completas de Machado de Assis e de Humberto de Campos, encadernadas em verde e azul, edições Jackson Inc. Eu achava Humberto de Campos um grande poeta e fiz muitos sonetos imitando seu estilo comparativo (ele contava uma história bíblica ou mitológica e terminava assim: "Também eu, como X..." etc). Meu primeiro soneto publicado em jornal, O Pássaro Cego (13.04.47 - Gazeta de Viçosa), trazia uma epígrafe dele. Eu gostava muito de epígrafes. Mais tarde, conheci por acaso Augusto dos Anjos e passei a fazer sonetos à semelhança do EU. Lembro de um, que causou estranheza ao meu professor de Biologia: A Vida é o resultante grau da orgânica/ Evolução da célula – é energia/ Que mais se apura dia para dia/ Desde os tempos remotos da Era Oceânica.”

Ivo Barroso é um dos mais importantes tradutores literários brasileiros. Ao longo de décadas dedicadas às letras, traduziu algumas das grandes obras da literatura ocidental, escritas originalmente em inglês, italiano, francês, espanhol e alemão. Sua carreira, construída com tenacidade, revela uma ligação de vida inteira com a literatura, através da escrita de ensaios, poemas e do exercício obstinado da tradução de grandes autores. Ele cruza também os gêneros: traduziu muita poesia e muita ficção, mas traduziu igualmente teatro. Exerceu, com competência, uma modalidade de tradução relativamente rara no Brasil, a das obras completas, traduzindo a totalidade dos escritos de dois autores-chave da modernidade: Rimbaud e T. S. Eliot. Esse é um tipo de trabalho que envolve anos de pesquisa e uma disciplina extraordinária e é da mais alta relevância para a formação das culturas, como provou eloqüentemente o exemplo dos tradutores românticos alemães.

Escrito por senhoras e senhores às 00h15


[]


Seleção de capas da Senhor

 Por: Fernanda Monteiro

 

As capas da Senhor são, até hoje, motivo de críticas positivas. A criatividade, a inovação e a originalidade despertavam o interesse do leitor e o chamavam para a revista.

Preparamos um álbum com uma seleção de capas e vale à pena conferir!

As imagens das capas foram cedidas pela Geilza.

Clica lá!

Escrito por senhoras e senhores às 23h56


[]


Curiosidades sobre “Senhor”

Por: Tatiana Lima e Silvania Silva

Antes da publicação do blog Cultura Sim Senhor, eu e mais duas colegas, Michele Derzi e Silvania Silva, fizemos uma visita à Biblioteca Nacional para nos familiarizarmos com as edições da Revista Senhor. Na verdade, foram várias visitas: as primeiras para conhecermos de fato o que foi essa revista, que estava inserida em um contexto de vanguarda na história do país e as seguintes para coletar informações para inserirmos no blog. Podemos ver inúmeras coisas interessantes na revista, que teve seu lançamento em março de 1959 e perdurou até janeiro de 1964.

Capa:

Uma das partes que mais chamou atenção na revista foi a sua própria capa. Sua produção seguiu a mesma linha até a última edição: retratava o cotidiano do sexo masculino através de pinturas e desenhos. Algumas até eram construídas por fotografia como a edição de março de 1963, mas ainda assim, parecia mais uma pintura do que realmente uma foto. Sua primeira edição tinha como fundo o calçadão de Copacabana, que abrigava um casal de namorados e um homem que admirava a mulher que passava o que retratava situações da vida de um homem.

Índice e colaboradores:

O índice também era uma “coisa” diferente. Este se dividia, inicialmente, em “Sr. e Cia”, “Artigos”, “Reportagens”, “Contos “, “Poemas”, “Especiais”, e “Humor”. Suas matérias eram assinadas por escritores renomados como Carlos Lacerda, Anísio Teixeira, Vinícius de Moraes, Jorge Amado e Clarice Lispector. A revista era publicada mensalmente e a cada mês suas editorias aumentavam: de Março para Junho de 1959 nasceram as editorias “Sr. e os fatos econômicos”, “Sr. na tecnologia”, “Sr. na política”, “Artiguetes”, “Bar” e “Ficção” o que colaborou com o seu crescimento.



Publicidade:

As publicidades que mantinham a revista também eram, em sua maioria, destinadas ao sexo masculino e quando tinham como público-alvo as mulheres, eram ali publicadas não para serem consumidas diretamente por elas, mas sim para serem oferecidos como presentes ao sexo feminino. Diferentemente de hoje, as publicidades também eram colocadas no índice, na editoria “Informação”.

Ilustração:

Assim como as capas, as imagens do interior da revista também eram, na maior parte, feitas de desenhos e pinturas e tinha como principal contribuinte um dos maiores cartunistas do Brasil: Jaguar.


Preço e assinatura:

O preço alterou muito até o fim da revista. No início, ela custava CR$ 70,00, em 1962 passou para CR$ 200,00 e em 1964 já era CR$ 300,00. O periódico também tinha uma assinatura; esta era semestral e em 1959 custava CR$ 300,00.


Novelas:

Na revista havia os contos que se chamavam de “Novelas”, que nada mais eram do que histórias fictícias, assim como são as novelas de hoje. As páginas que compunham essas “novelas” não tinham sequer uma ilustração; eram textos intermináveis, mas que ao final, o leitor sentia-se satisfeito com o que acabara de ler. Essas páginas tinham a metade do tamanho (em comprimento) das demais da revista e, geralmente, vinham no meio dela.


Enfim, isso é um pouco do que vimos na Biblioteca Nacional, que por sinal conservou muito bem as edições lá guardadas. Vale a pena conhecer a revista que foi um marco cultural para a história brasileira.


Escrito por senhoras e senhores às 19h39


[]


“Senhor marcou época pelo refinamento de suas capas e de suas matérias”

Por: Marcela Cristina 

 

No ano 2000 a editora Abril lançou um livro revista em comemoração aos primeiros 50 anos da editora. Nele, a revista Senhor é citada como uma das obras primas do design gráfico. Seis capas de Senhor ilustram a edição.


O principal objetivo da edição, como consta no editorial assinado por Roberto Civita, seria publicar um livro que contasse a extraordinária época das revistas brasileiras.


Nesta edição são apresentadas dezenas de exemplares que demonstram a importância do papel das revistas brasileiras. Em um trabalho que reúne as melhores revistas brasileiras, Senhor não poderia estar de fora.


Confira!

Escrito por senhoras e senhores às 19h37


[]


Capas da SR.

 

Escrito por senhoras e senhores às 20h01


[]


Revista Senhor, um símbolo de modernidade e elegância na história das revistas brasileiras

                                                                     Por: Fernanda M. Amaral

 

A Revista Senhor circulou no Rio de Janeiro entre 1959 e 1964, momento de fervor cultural no país, com a Bossa Nova, o Cinema, etc, além de mudanças políticas e econômicas, o que propiciou um ambiente ideal para o lançamento de uma publicação como tal. A revista se tornou um símbolo do Brasil que queria ser moderno e crescer 50 anos em cinco.

Era uma publicação para o homem, mas que também podia ser lida pela mulher. Segundo Simão Waisman, dono da Editora Senhor S.A, era “uma revista para ser lida pelos elementos mais responsáveis pela vida nacional, a fim de estimulá-los a considerar com mais seriedade os problemas culturais do país”.

Senhor era uma revista diferente de todas as outras publicações existentes. Distinguia- se não só pelos assuntos abordados, mas também pelo elaborado projeto gráfico e de produção. Com uma equipe que contava com Nahum Sirotsky, Paulo Francis e Luiz Lobo, a revista trazia o interesse pelas artes cênicas, literatura e artes plásticas, porém, sempre com um toque de humor e irreverência. Ainda contava com a presença de Jaguar, que tornou o desenho de humor e a charge uma das marcas da revista.

Os colaboradores da Revista Senhor eram sempre os melhores do país. Muitos nomes reverenciados na literatura encontravam na revista uma porta aberta. Entre eles, temos: Clarice Lispector que se firmou na seção, “Children’s Córner”, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado, Fernando Sabino, Elsie Lessa, Vinícius de Moraes, Armando Nogueira, Ferreira Gullar, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Paulo Mendes Campos, Paulo Coelho, os arquitetos Marcos de Vasconcellos e Sérgio Rodrigues, designer da poltrona Mole, um marco no móvel moderno no Brasil.

A revista publicava sempre  produções já reconhecidas, inclusive da literatura internacional, ao mesmo tempo em que lançava novos nomes. A fotografia ganhou muito espaço na revista e rompia páginas.

O design gráfico ia muito além do convencional. Carlos Scliar, diretor de arte da revista, disse: “Eu tinha que fazer com a ilustração, é claro com a tipologia (sic), com a organização do espaço, dando um ritmo naquela matéria para que você fosse induzido a ler, pois se você começou a ler, a responsabilidade já não era mais minha, eu tinha feito o que estava no meu alcance – fazer você começar a ler." O design, então, passou a ser visto como um diferencial, um meio de provocar interesse. Foi incorporado à linguagem gráfica o que havia de moderno, com o grande apoio financeiro que a direção de arte tinha, Scliar fez uma revista graficamente arrojada.

Porém, a produção da revista implicava em altos gastos e com as fortes mudanças econômicas que o país sofria na época, não se sustentou. O alto custo do papel e a transformação da imprensa em negócio de grandes proporções, tornaram a tarefa de reduzir gastos e manter a qualidade da revista fiel ao modelo inicial impossível. Assim, em Janeiro de 1964, foi publicada a última edição da Revista Senhor, com o seguinte editorial:

 “Já em pleno 1964, Senhor faz promessas como é de hábito se fazer quando um ano se diz novo. Promessas, afinal uma apenas, a de se manter dentro da linha, sem excessos, com toda sobriedade, que assim devem agir os senhores que já crianças não são. Senhor que se preza, Senhor continuará vendo os problemas humanos e sociais com olhos de realidade presente. Prometemos não perder a nossa mania de ver o mundo do jeito brasileiro. Vai, neste janeiro, Ferreira Gullar explicando para quem não sabe e para quem pensa que sabe o que é Cultura Popular e nós ficamos vendo que pode ser uma saída bastante honrada para as artes em desfalecimento, pois sendo mais que isso, dá às artes o substrato necessário para que elas signifiquem alguma coisa no Brasil presente. Numa entrevista primorosa, Medeiros Lima faz Schmidt exibir sua alma de corpo inteiro e o Senhor fica sabendo que nem todo mundo é obrigado a olhar o mundo pelos olhos do Senhor. Há outros jeitos, vamos divulgando todos, a nosso jeito. Há o jeito de Sérgio Bernardes ver a arquitetura, exposto juntamente com o seu mais recente trabalho. O de Fernando Horácio apreciar os problemas do futebol brasileiro, preparando-se para a Copa de Londres, e a do jovem escrito paulista, Jorge Mautner, entrevistado  no Balaio por Nelson Coelho, desejar o Kaos. E, é claro, há humor, há mulher, há moda automóveis. Há uma revista para o Senhor. “ ( Senhor, n. 59, p. 5)

Escrito por senhoras e senhores às 13h29


[]


[ Arquivo ]
22/06/2008 a 28/06/2008
08/06/2008 a 14/06/2008
01/06/2008 a 07/06/2008
18/05/2008 a 24/05/2008
11/05/2008 a 17/05/2008
04/05/2008 a 10/05/2008
13/04/2008 a 19/04/2008
30/03/2008 a 05/04/2008

[ Votação ]
Dê uma nota para meu blog

[ Indicação ]
Indique meu blog a um amigo

[ Visitantes ]

[ Veja também ]

Blog do pc
Blog do professor pc
Comunique-se
Observatório da Imprensa
Capas da Senhor
FACHA
Blog do Jornal Laboratório